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Azeite de oliva extravirgem




O verdadeiro azeite de oliva extravirgem possui propriedades terapêuticas que ajudam na prevenção de doenças degenerativas. Com poderosas substâncias antioxidantes e antiinflamatórias, é  quase um medicamento. Por isso, após ler o livro do jornalista Tom Mueller, formado em Harvard, doutor em História Medieval pela Oxford, entendo a importância de passar adiante alguns conceitos e a importância da pureza e da não adulteração desse óleo, base de segurança alimentar milenar da Europa Ibérica, do Oriente Médio e de todo o Mediterrâneo.
Desde os tempos antigos o azeite de oliva é sinônimo de saúde, pureza e santidade. É um óleo vegetal feito da fruta da oliveira - os outos óleos são feitos das sementes das plantas- e verdadeiramente ideal para o corpo humano. Uma gordura que afina o sangue e nutre a mente. Artigos do Lancet do New England Journal of Medicine publicaram as recentes descobertas dos benefícios do azeite contra patologias como cardiopatias, câncer de mama e doença de Alzheimer.
A oliveira tem uma popularidade mítica, pois viceja em lugares desérticos, e quando destruída pelo fogo ou geada, cria brotos a partir das raízes. (...) o rendimento de uma oliveira é uma curva em direção ao alto, em direção ao infinito.
Mas não só do alimento se vive ou vivia, através do óleo de oliva: na produção econômica da antiguidade - de pelo menos 3000 anos antes de Cristo, os trabalhadores decantavam óleo para fabricação de loções para a pele, medicamentos, combustível, perfumes. " O azeite era a maior fonte de energia renovável da Antiguidade"
Foi usado como embelezamento masculino nas épocas de lutas entre escravos. Lustravam os corpos musculosos para mostrar suas curvas e volumes. Dizem que foi um estimulante às práticas  homossexuais na época.
A manteiga foi introduzida na na Itália por europeus do leste que invadiram o Império Romano nos séculos IV e V. Os caçadores/pastores da floresta que se vestiam de peles de animais ao invés de togas de linho e túnicas de seda, introduziram a cozinha germânica, baseada, não na tríade pão, vinho, azeite de oliva, mas de carne, azeite e gordura animal.. E seus gostos logo foram incorporados pelos habitantes romanos. Com a manteiga, a banha de porco veio consolidar a gordura animal na culinária europeia. As florestas deixaram de ser medidas por hectares, mas por hogs, espaços para os porcos pastarem em um dia.
Por volta do século XV, se reinicia uma guerra permanente na culinária com a chegada espetacular da manteiga. É a segunda invasão, já que a primeira foi da banha,10 séculos antes  com o afrouxamento de Roma do controle sobre os alimentos. Em certas áreas do norte da Europa, onde não crescia azeitonas, os moradores locais não gostavam muito de azeite e modificações no direito canônico permitiram o consumo de manteiga durante a Quaresma, nos dias de jejum, abrindo a porta da substituição generalizada do azeite por manteiga.
Os cozinheiros franceses e ingleses começaram a substituir essa gordura mais doce e mais suave, deixaram de lado o azeite de oliva, que por muito tempo foi parte da culinária nativa, praticamente, eliminando as influências mediterrâneas de seus cardápios.
(...) Do século XV ao século XIX, a batalha entre a manteiga e o azeite era até retratada em telas, literatura e dramas de rua como a guerra entre o carnaval e a Quaresma, mostrando a manteiga marchando para a batalha de armadura à frente de gorduras animais e laticínios, enquanto se inimigo, o azeite de oliva, lidera multidões de peixes, repolho, pão e outros aliados.
Mesmo assim, os europeus do sul, em sua maioria, mantiveram-se fiel ao azeite, não só pela devoção à culinária mediterrânea, mas porque muitos deles achavam que a manteiga era pouco natural, e até perigosa, Há um relato escrito de um cardeal, que ao viajar para os Países baixos no século XVII, levou consigo um estoque de azeite de oliva “ Devido à produção de manteiga e laticínios que são amplamente utilizados em Flandres e na Alemanha”, observou  ele “esses países estão cheios de leprosos”
As oliveiras chegaram na Austrália por intermédio de missionários viajantes, oriundos do Mediterrâneo, assim como em outras partes do mundo, entre os séculos XV e XVIII. Atualmente elas crescem por todo o continente, das florestas úmidas subtropicais até às planícies gélidas do sul da Tasmânia. Do árido centro desértico aos campos do ocidente. Monges produzem o azeite desde 1850, mas o cultivo em larga escala na Austrália, só na década de 1980.
Os primeiros importadores de azeite para o Novo Mundo foram os conquistadores. O azeite era usado para combustíveis, lamparinas, motores, era ingrediente ativo na medicina e ritos religiosos. Em todos os navios enviados da Espanha para as américas, chegavam embalados, azeite de oliva, sardinhas, carne de porco salgada, uvas-passas, sandálias, vinhos e armas.
(...) deslumbrava as populações indígenas com sua miríade de propriedades benéficas (os astecas, devotos do sol, admiravam o brilho das lanternas espanholas alimentadas com azeite de oliva), e se tornou, como o aço de Toledo e os garanhões árabes, um emblema de superioridade técnica e cultural.
Na Califórnia, Estados Unidos, há produção de azeite extravirgem, pois o clima lá é quente e seco, mas 98% do azeite consumido no país é importado da Tunísia e Europa.
Em 1875, um Italiano, fundou o Banco Francesco Bertolli nos Estados Unidos. A pedido de clientes, começou a trazer da Itália, caixotes de azeite, despretenciosamente, e em 1890 já fazia mais dinheiro com o azeite de oliva do que com finanças. Seu filho, Giulio Bertolli, abriu o mercado brasileiro, viajando no lombo de uma mula nas regiões de Minas Gerais, carregando material para fabricação de vassouras e azeite de oliva. No início, vendia as vassouras e dava de graça uma lata de óleo com cada compra. Seis meses depois, abandonou completamente as vassouras.
O pão, o vinho e o azeite são alimentos que fazem parte da gastronomia no mundo todo, desde a atiguidade.  Todo alimento deveria ser preservado em qualidade desde a produção até à mesa do consumidor. Por enquanto, o que percebo é que destes tres alimentos, apenas o vinho tem suas qualidades estritamente garantidas para o consumidor a nível mundial. 
O azeite de oliva extravirgem tem um gosto meio amargo, por isso, dizem que é para o paladar de adultos, mas ele deve e pode ser usado em qualquer receita, para qualquer idade, em doces e salgados, de preferência  cru, dessa forma as suas propriedades terapêuticas são preservadas.

  • Dica para saber se o azeite é realmente de boa qualidade:

Coloque um pouco na geladeira durante 48 horas. A solidificação do azeite ocorre numa temperatura de 13 a 14° C, ou seja, com a redução da temperatura o azeite deverá solidificar, e apresentar-se na forma pastosa.

  • Dicas para escolher um bom azeite:

  1. Se não puder degustá-lo antes, verifique se a loja tem controle de qualidade, rotulagem e acondicionamento em locais escuros e frios, com alta rotatividade. O azeite não "gosta" de luz.
  2. Rotulagem: prefira os que trazem "extravirgem" no rótulo, verifique a data de validade ou melhor: data da colheita. Em geral, a validade é de 2 anos, após engarrafado.
  3. Prefira garrafas de vidro escuras e compre a quantidade que usará rapidamente. Mesmo um excelente azeite pode ficar rançoso em contato com o ar.
  4. Não preste atenção na cor do azeite. Os bons vêm em todas as cores, do verde vívido ao amarelo ouro ou palha claro.
  5. Quanto ao sabor ou aroma, lembram azeitonas frescas e possuem algum tipo de amargor ou pungência (são os antioxidantes).
  6. Evite gostos bolorentos e rançosos, gostos de gordura ou metal e papelão.
  7. Consulte o site www.extravirginity.com 
Lei 1.513/2001 da União Europeia:

Azeites de oliva virgens:
O óleo obtido do fruto da oliveira exclusivamente com processos mecânicos e outros processos físicos, em condições que não causam alterações ao azeite, e que não tenha sofrido qualquer tratamento além de lavagem, decantação, centrifugação e filtragem, excluindo os óleos obtidos com solventes, ou com reagentes químicos ou bioquímicos, ou com processos de reesterificação, ou qualquer mistura com óleos de outra natureza.
Fonte:
MUELLER, Tom. Extravirgindade: o sublime e escandaloso mundo do azeite de oliva. São Paulo: Edições Tapioca, 2012.


Receita fácil para uma pessoa adulta:

Bolo de caneca  com azeite extravirgem

Ingredientes

1 ovo pequeno
4 colheres (sopa) de leite
3 colheres (sopa) azeite extravirgem
3 colheres (sopa) rasas de farinha de trigo
1 colher (café) de fermento em pó
1 pitada de sal
1 gota de pimenta malagueta
1 fatia de queijo mussarela
1/2 tomate picado sem pele e sem sementes
1 colher de sobremesa de queijo parmesão 
Orégano  

Modo de fazer
  1. Corte o queijo, o tomate em pedacinhos pequenos.
  2. Bata todos os ingredientes vigorosamente na própria caneca de 300 ml.
  3. Leve ao microondas por 3 minutos na potência média (05).
  4. Coloque o orégano por cima
  5. Deixe amornar.

Molho verde para saladas 

1/2 xícara de azeite de oliva extravirgem
1/2 xícara de salsinha
2 dentes de alho picados
1 colher de chá de cebolinha verde
1 colher de sopa de mostarda

Modo de fazer:

Coloque tudo no liquidificador e bata por 15 segundos até ficar um creme 
Despeje por cima de batatas gratinas, brócolos ou até por cima de torradas.


Geleia de abacaxí com alho e azeite e oliva extravirgem

Ingredientes

1/2 abacaxí
1 cabeça de alho
1/2 xícara do azeite de oliva
1/2 xícara de mel
1 xícara de chá de açúcar
2 xícaras de chá de água

Modo de fazer

  1. Descasque o abacaxi, retire o miolo e pique
  2. Descasque os dentes de alho e coloque-os em uma panela
  3. Adicione o mel, a água e cozinhe em fogo médio, mexendo de vez em quando por cerca de 15 minutos
  4. Deixe esfriar um pouco
  5. Coloque no liquidificador a mistura de mel, água e alho cozidos, adicione o abacaxí, o azeite de oliva e o açúcar
  6. Bata mais dois minutos até obter um purê
  7. Leve ao fogo tudo, novamente, mexendo sempre até ferver
  8. Abaixe o fogo e deixe cozinhando por uns 20 a 25 minutos com a panela tampada, mexendo sempre até ficar uma geleia. Sirva com pratos doces, pães, carnes e peixes.

O azeite de oliva pode ser usado em qualquer receita que demande óleo. Sobre saladas, pães bolos e até sorvetes. Experimente.




"Comer uma salada banhada no azeite de oliva extravirgem é como dar um banho de ouro na saúde"
Janine

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Atenção

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