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Roleta Genética


Riscos documentados dos alimentos transgênicos sobre a saúde.

Na década passada, Roleta Genética foi o livro mais extraordinário do meio científico.  Foi dado o alerta para a humanidade sobre os malefícios dos produtos Geneticamente Modificados para a biodiversidade e para a saúde do planeta.
Em meados de 1970, cientistas descobriram que podiam transferir genes do DNA de uma espécie para dentro do DNA de outra. Plantas, animais e outros organismos poderiam ser modificados para apresentarem características nunca encontradas anteriormente em seus reinos.
Depois dessa descoberta, considerada uma conquista científica de grande importância, cientistas têm trabalhado em algumas combinações interessantes: genes de aranhas foram inseridos no DNA de cabras, na esperança de que o leite apresentasse uma proteína da teia para fabricar coletes à prova de balas; genes de água-viva fizeram narizes de porcos iluminarem-se no escuro; genes de peixe do Ártico deram tolerância à geada a tomates e moranguinhos; genes humanos foram inseridos no milho para produção de espermicida. E empresas de biotecnologia deram novas características a plantas cultivadas.

No início da década de 90, a imagem quase utópica de que uma nova tecnologia “poderia” resolver a crise alimentar no mundo e limpar o meio ambiente fez com que pesquisadores, governantes, produtores, e, principalmente as empresas detentoras de patentes de sementes ficassem fascinados pela idéia de trocar genes entre espécies. Organismos projetados que poderiam reduzir resíduos da industrialização, transformando as lavouras em fábricas e produzindo qualquer coisa, desde drogas salvadoras de vidas a plantas resistentes a insetos.
“Ajudar o mundo” é apenas uma das diversas realidades construídas sobre os cultivos transgênicos. E a principal delas, é que esses alimentos são seguros. A fonte dessa informação é a FDA (Agência para Alimentos e Drogas dos Estados Unidos). De acordo com a sua política para os alimentos transgênicos, de 1992, “A agência não tem conhecimento de nenhuma informação mostrando que alimentos produzidos por esses novos métodos sejam diferenciados de outros alimentos em qualquer forma significativa ou uniforme. Com base nisso a FDA alegou que nenhum estudo de segurança era necessário e que a companhia que produz o alimento é responsável por garantir a segurança. Ou seja, as empresas de biotecnologia determinam por conta própria se seus produtos são inofensivos. Essa política criou o cenário para o rápido desenvolvimento dessa nova tecnologia.

A segurança está a cargo da indústria

As aprovações para cultivo dos alimentos transgênicos, em todos os lugares do mundo têm suas aprovações provenientes da própria indústria desenvolvedora de tecnologia. Fazem estudos de segurança para os seus próprios cultivos, a pesquisa não precisa ser publicada e a maior parte é mantida em segredo. Poucos dados são disponíveis para escrutínio público.
Até o início de 2007, havia pouco mais de 20 estudos revisados por cientistas, sobre alimentação em animais e segurança dos cultivos transgênicos. Apenas um único teste de alimentação humana foi publicado e não há vigilância pós-comercialização sobre quem se alimenta de produtos com organismos geneticamente modificados. Além disso, os estudos - financiados pelas indústrias – utilizam-se de formas criativas de evitar encontrar problemas: alimentam animais com mais idade, ao invés de jovens, mais sensíveis; mantêm tamanho muito pequeno de amostras para alcançar a significância estatística necessária para estudos científicos; diluem o componente transgênico na ração; cozinham demais as amostras; limitam a duração dos testes de alimentação; chegam ao ponto de ignorar mortes e doenças dos animais. Conseguiram que a ciência de má qualidade se tornasse uma ciência.

Histórico das autorizações de transgênicos no Brasil

A história da adoção de transgênicos no Brasil segue um mesmo esquema estratégico.
Como nos demais países, onde a Monsanto, a Syngenta e outras multinacionais controlam o mercado de sementes GM, há exercício de lobby junto á representantes das áreas científica e política.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança -  CNTBio – foi criada no Brasil em 1995, logo após ser aprovada a primeira Lei de Biossegurança. É um órgão vinculado ao Ministério da Ciência e tecnologia, presidido por Leila Oda, que aprovou centenas de campos experimentais com transgênicos. Há denúncias de que sementes contrabandeadas da Argentina chegaram misteriosamente nas mãos de nossos agricultores espalhando plantações ilegais no país.
Apesar de autorizado pela CNTBio em 1998, o plantio de soja havia sido embargado pela Justiça por ação do IDEC Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. A aprovação foi concedida sem o licenciamento ambiental previsto em lei. O então presidente da CNTBio Luis Antônio Barreto de Castro, pesquisador da EMBRAPA, divulgou a nota de liberação à imprensa. Hoje ele é Secretário de Política e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (pasta que ele representa na CNTBio).
Em 1999, Olívio Dutra, então governador do Rio Grande do Sul decretou o território gaúcho livre do plantio de transgênicos pelo decreto 39.314, regulamentado pela Lei 9.453. A proposta foi derrubada pela Assembléia Legislativa do Estado. O descontrole foi total e as sementes da Monsanto tomaram conta de todo o Rio Grande do Sul, ilegalmente, via Argentina, onde a soja transgênica já era liberada.
Em 2003, ao assumir a presidência do país, Lula oficializou a situação de ilegalidade que imperou no governo de FHC. Mas no seu terceiro mês de mandato assinou Medida Provisória liberando a colheita da soja gaúcha colhida a partir de sementes ilegais, contrariando os compromissos de campanha.
Quando a soja foi liberada, o governo, através da ANVISA, do Ministério da Saúde, aumentou 50 vezes o Limite Máximo de Resíduos permitido do glifosato. Qual poderia ser a razão? O que teria levado a ANVISA a fazer isto?
Segundo noticia do Jornal A folha de S. Paulo (24/11/2005) “... Beto Ferreira Martins de Vasconcelos – funcionário da Casa Civil encarregado de preparar decreto que regulamentou a Lei de Biossegurança... trabalhou por cinco anos como advogado da Monsanto, uma das principais interessadas na abertura de OGM no Brasil. Atualmente, Vasconcelos é secretário-executivo do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), composto por onze ministros de estado e presidido pela ministra Dilma Rouseff.
Houve um momento crucial nas autorizações pelo governo: DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE VOTOS necessários para a aprovação do plantio de transgênico, neutralizando, assim a atuação dos cientistas preocupados com a precaução nas decisões. O pedido para diminuição do quórum foi encaminhado pela senadora Kátia Abreu à Casa Civil, e facilitou a liberação da produção dos produtos transgênicos no país.
Até o início de 2009, a CNTBio liberou para plantio no Brasil uma variedade de soja transgênica, seis de milho e quatro de algodão. Todas liberadas com estudos feitos pelas próprias empresas, dispensando estudos de impacto ambiental e estudos independentes sobre riscos à saúde humana.
As empresas de Biotecnologia têm aliado-se às ONGs para protegerm-se socialmente, permitindo ,assim, o plantio de transgênico. Esse é um debate do momento na Europa, havendo severas críticas AA WWF por associar-se á Mesa Redonda da Soja Responsável, promovida por empresa. Os ecologistas acusam essas ONGs de estarem sendo usadas pelas multinacionais dos Transgênicos para “lavagem de imagem”.
De acordo com a lei de rotulagem 4680/03 de abril de 2004, todos os produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica devem trazer essa informação no rótulo com a presença do símbolo ‘T’ dentro de um triângulo amarelo.
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) elaborou um decreto com a proposta de eliminar a obrigação das empresas de informarem a presença de transgênicos nos rótulos.

ALGUNS RISCOS DOCUMENTADOS DOS ALIMENTOS GENETICAMENTE MODIFICADOS SOBRE A SAÚDE

Evidências de reações em animais e humanos:

  • Batatas transgênicas prejudicam ratos.
  • Ratos alimentados com tomates GM tiveram sangramentos estomacais, muitos morreram.
  • Trabalhadores expostos ao algodão Bt desenvolveram alergias.
  • Pólen de milho Bt pode ter desencadeado doenças em humanos.
  • Soja Roundup Ready alterou o metabolismo celular em órgãos de coelhos.
  • Alergias a soja dispararam na Inglaterra, logo após a introdução de soja transgênicos.
A inserção do gene causa dano ao DNA

·        Desenvolver cultivos GM  usando cultura de tecidos pode criar centenas de milhares de mutações do DNA
·        O promotor pode, acidentalmente, ativar genes prejudiciais
·        O promotor pode ativar um vírus dormente em plantas
·        A soja Roundup Ready produz variações não intencionais no RNA

     Transferências de genes para bactérias do intestino órgãos internos ou vírus
Os genes inseridos podem se transferir para células bacterianas intestinais e de outros órgãos internos, Essa possibilidade havia sido ignorada com base na suposição de que os genes ingeridos são rapidamente destruídos pelo sistema digestivo. Porém, estudos em animais demonstraram que o DNA ingerido pode percorrer todo o corpo, até, via placenta, para um feto.

·        Apesar das afirmações da indústria, transgenes sobrevivem ao sistema digestório e pode ficar vagueando.
·        O desenho do transgene facilita a transferência para a bactéria do intestino.
·        A transferência para a bactéria do intestino humano está confirmada.
Apostando com nossa saúde e com o meio ambiente

No Natal de 1859 a Victorian Acclimatization Society  soltou 24 coelhos numa zona Rural da Austrália para que os colonos pudessem caçar por esporte e se sentir mais “em casa”. Hoje há mais de 200 milhões de coelhos espalhando-se por uma área de 4 milhões de km quadrados. Aquele presente e Natal custa hoje mais de 600 milhões  de dólares por ano. Então, espera-se que  intervenções humanas com objetivo de autopropagação devam ser tratadas com o máximo de precaução possível..
A liberação de produtos geneticamente modificados exige um cuidado ainda maior, pois podem persistir por séculos e expõem milhões de pessoas a perigos imprevisíveis.

Assumindo a responsabilidade.
Depois de conhecer sobre os OGMs, políticos, repórteres, companhias de alimentos, agricultores, chefs, administradores de escola, e consumidores pensam que existe alguém assumindo a responsabilidade por todos nós, por nossa saúde e segurança alimentar.É fácil achar que cientistas e companhias tratem disso. Afinal, é o trabalho deles e são seus produtos, não nossos.
Este livro foi publicado para mostrar que os outros não estão cuidando de nossa saúde. As Companhias também estão pondo em risco a saúde do planeta.
Devemos assumir responsabilidades. A seguir, algumas estratégias para evitar de comer alimentos GM.


Como evitar comer alimentos geneticamente modificados

1) Rotulagem obrigatória
No Canadá e EUA não existem exigências de rotulagem de GM, mas a maioria dos países industrializados tem.
De acordo com a lei de rotulagem 4.680/03, em vigor no Brasil desde 2004, todos os produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica devem trazer essa informação no rótulo, com a presença do símbolo 'T 'em meio a um triângulo amarelo.
Apesar da falta de comprovação quanto à segurança dos alimentos transgênicos, as empresas de biotecnologia produtoras (detentoras de patentes) estão adotando o novo nome "alimento seguro" como estratégia de marketing. E no caso do Brasil o consumidor está privado do direito de escolha uma vez que a rotulagem raramente é cumprida. As empresas Cargill e Bungue, por ex. cumpriram o decreto da rotulagem em seus óleos de soja somente por DECISÃO JUDICIAL.
Verifique no seu óleo de soja se você está consumindo transgênicos.

2) Rótulos Não-OGM voluntários
Muitos produtos nos EUA já estão sendo rotulados como não-OGM. Isto não está definido entre os produtores, mas a Campaign for Healthier Eating in America está estudando um padrão uniforme de rotulagem e sua verificação.
Obs.:No Brasil, alguns produtos já trazem na embalagem “produto não-OGM”, como o óleo de soja Leve.
3) Guia de compras.
Guias identificando as marcas dos produtos GM versus não –GM. No Brasil, o Greenpeace publica esse tipo de trabalho no Guia do Consumidor, através do endereço eletrônico:

4) Orgânicos
Nos alimentos orgânicos não é permitido o uso de Organismos Geneticamente Modificados.

5) Evitar ingredientes de risco
Podemos evitar todos os ingredientes que podem estar com GM na composição.
Exemplos no Brasil:
Óleos de soja e milho e canola, margarinas, cosméticos importados dos EUA, salgadinhos de milho industrializados e rações de animais (cães e gatos) industrializadas (2013).

Fonte:
SMITH, Jeffrey M. Roleta Genética: riscos documentados dos alimentos transgênicos sobre a saúde. São Paulo: João de Barro, 2009.
Revista Biodiversidade, abril de 2009, página 11, por Ana de Ita


A contaminação legal do milho no México

Um decreto presidencial assinado também pela secretaria do Meio Ambiente e Agricultura, da Economia da Educação e da Saúde do México, tornou sem efeito uma moratória  estabelecida durante seis anos por cientistas mexicanos, que durante  10 anos proibiu o plantio experimental e comercial de milho transgênico, por ser país de centro de origem, diversidade e domesticação.
O plantio experimental, permitido a partir desse decreto não pretende comprovar nenhuma hipótese científica, é apenas um trâmite para que daqui a dois anos se generalize o plantio do milho Bt no México.

Revista Biodiversidade, abril de 2009, página 28, www.redefensadelmaiz.org

Não ao milho transgênico

As variedades de milho transgênico que querem plantar no país não resolvem os problemas da agricultura: são mais caras, pois os custos das sementes e a licença são mais elevados que nos cultivos convencionais: não aumentam os rendimentos (são iguais ou até reduzidos; utilizam mais agrotóxicos, pois produzem a toxina Bt constantemente, gerando resistência a pragas, e pragas secundárias que devem ser controladas com outros agrotóxicos
Por ser um cultivo de polinização aberta, é impossível evitar a contaminação transgênica do milho convencional, ocorrendo contaminação, também em armazéns, transporte e indústrias.
Os trangênicos não servem para agricultura orgânica, nem para pequenos produtores rurais, mas certamente contaminarão as variedades nativas e serão uma ameaça à agricultura orgânica.
Todas as sementes trnsgênicas são patenteadas e controladas por seis  multinacionais: Monsanto, Syngenta, DuPont, Dow, Bayer e Basf. Isso provovca uma dependência absoluta dos agricultores a essas multinacionais e criminalizam as vítimas de contaminação.

Estudo realizado em Palmeiras das Missões (RS), em março de 2002, constatou que a soja transgênica é menos produtiva do que a soja convencional, além de usar mais agrotóxico que os cultivos convencionais. O trabalho foi realizado por Rubens Onofre Nodari, professor de Genética e Melhoramento da Universidade Federal de Santa Catarina, e Deonisio Destro, professor de Genética e Melhoramento da Universidade Estadual de Londrina.
Os pesquisadores constataram uma queda de produção de até 540 kg por hectare na lavoura transgênica. A produtividade da soja modificada foi de 1.020 kg a 1.6 kg por hectare, enquanto a da lavoura tradicional ficou entre 1.680 kg e 1.8 mil kg.
Veja a pesquisa na íntegra no site:

Concluindo, podemos fazer aulgumas perguntas reflexivas para o assunto que está longe de ter fim: necessário maior produção de alimentos, ou estamos distribuindo mal as produções?
Por que, no mundo, em algumas regiões as pessoas  estão se tornando obesas, enquanto que em outras ainda há fome? Se as indústrias alimentícias financiadoras dessas pesquisas, realmente quisessem acabar com a fome através da produção de transgênicos, já não o teriam feito?
Entramos em mais uma década do milênio e esperamos responder urgentemente essas questões", para que haja justiça e ninguém mais passe fome.


Leia mais: Pragas agrícolas tornam-se resistentes aos Transgênicos no blog GaiaNet do médico ecologista Rui Martins  Iwersen.

11 de fevereiro de 2013

Conheça 10 transgênicos que já estão na cadeia alimentar

Em janeiro, a agência que zela pela segurança alimentar nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou para consumo um tipo de salmão geneticamente modificado, reacendendo o debate sobre a segurança dos transgênicos e suas implicações éticas, econômicas sociais e políticas. É a primeira vez que um animal geneticamente modificado é aprovado para consumo humano.
 Mas muitos consumidores nos Estados Unidos, Europa e Brasil, regiões em que os organismos geneticamente modificados (OGMs) em questão de poucos anos avançaram em velocidade surpreendente dos laboratórios aos supermercados, passando por milhões de hectares de áreas cultiváveis, continuam desconfiados da ideia do homem cumprindo um papel supostamente reservado à natureza ou à evolução – e guardam na memória os efeitos nocivos, descobertos tarde demais, de “maravilhas” tecnológicas como o DDT e a talidomida.
(…) As principais academias de ciências do mundo e instituições como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são unânimes em dizer que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética realizada sob o controle dos atuais protocolos de segurança não representa risco maior do que técnicas agrícolas convencionais de cruzamento de plantas.
Vários produtos GM já estão nos supermercados, um fato que pode ter escapado a muitos consumidores – apesar da (discreta) rotulagem obrigatória, no Brasil e na UE, de produtos com até 1% de componentes transgênicos. (…)
Rui Martins Iwersen 
GaiaNet

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