Postado por Janine | 2 comentários

Folha de São Paulo: o leite de vaca pode ser banido da alimentação?

 
29/03/2013
Trabalhando no CEPON, Centro de Pesquisas Oncológicas, no Registro de Câncer de Base Populacional e recebi um  e-mail do Programa Cuidando do Cuidador, bastante pertinente. Em matéria publicada no jornal  Folha de São Paulo, no  dia 23 de julho de 2013, a editora levantou  discussão sobre a ingestão do leite de vaca. Particularmente, nunca achei que o leite fosse obrigatório na minha alimentação, não só por opção pessoal com relação ao paladar, mas também por estar ciente da forma cruel na sua produção, colocando os animais em situação extremamente estressante. Não preconizo o radicalismo, pois muitas receitas deliciosas podem ser feitas de leite, e estou ciente da importância proteica dos seus derivados. Porém, por incrível que pareça, a produção leiteira pode ser muito mais estressante para os animais do que as técnicas e produções para o abate. Creio que podemos, sim, diminuir o consumo de leite. O leite de vaca deve ser evitado para alimentar crianças até os 6 meses de idade, e o Ministério da Saúde lança campanha em agosto alertando para a importância do aleitamento materno até os dois anos de idade. Felizmente, a amamentação humana infantil volta a ser prioridade nas políticas de Vigilância Nutricional em Saúde.Na alimentação dos adultos, o leite pode ser substituído por leite de arroz, amêndoa ou aveia. Em alguns casos, os intolerantes à lactose não reagem contra o leite de soja. Queijos podem ser substituídos por tofu. Para compensar a ingestão de cálcio, cuja principal fonte é o leite,os nutricionistas sugerem a sardinha, o gergelim, a aveia, a avelã, a castanha do Pará, o espinafre e o agrião.

Parte das pessoas que abandona leite alega riscos à 

saúde; médicos contestam

MARIANA VERSOLATO

Ed. Assistente da revista "Vida+Saúde"

O leite de vaca pasteurizado ainda mantém o posto de alimento ingerido em maior 

quantidade pelas famílias brasileiras, mas é fato que o consumo da bebida já não é tão

 grande como no passado.

Segundo o IBGE, esse consumo caiu cerca de 40% nos últimos 30 anos no país.

 O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aponta que tanto a quantidade como a

 frequência do consumo de leite caíram desde a década de 70.

Uma das explicações do órgão americano para a queda é a oferta cada vez maior de outras 

bebidas, como isotônicos e águas "vitaminadas".

No Brasil, a explicação está na diversificação da alimentação nas últimas décadas, o que

 reduziu o consumo de produtos tradicionais como leite, arroz e feijão, e aumentou a ingestão 

de iogurte, refrigerante e outros alimentos industrializados.

A intolerância à lactose, distúrbio que tem se tornado cada vez mais diagnosticado e comum

no mundo, é outro motivo para a menor presença do leite nas dietas.

Mas há ainda quem acredite em uma associação do consumo da bebida ao aumento no

 risco de doenças como problemas intestinais, inflamações e até câncer e transtornos como 

autismo.É o caso da filósofa Sônia Felipe, que lançou no ano passado o livro "Galactolatria - Mau 

deleite", no qual aborda os supostos males causados pela bebida.

"Todos os motivos para abolir o leite concorrem para a sua desmitificação como alimento

 saudável, indispensável ou louvável. Ele não é nada disso", afirma.

Ela conta que estuda o assunto há 13 anos, desde seu pós-doutorado em bioética e ética 

animal na Universidade de Lisboa "Meu interesse se fortaleceu por conta da decisão ética de

 eliminar da dieta todos os produtos derivados de sofrimento animal."

Os tais malefícios do leite, porém, são contestados por especialistas. Wagner Gattaz, 

professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, refuta a associação do leite com 

doenças mentais.

Ele lembra de um estudo publicado no "Schizophrenia Research" que aponta que antígenos 

do leite podem causar um desequilíbrio metabólico no cérebro de pessoas com 

esquizofrenia.

"Mas não há evidências de que o leite agrave a psicose. Provavelmente são achados sem 

significado clínico."

Ana Carolina Cantelli, nutricionista oncológica do A.C.Camargo Cancer Center, diz que os 

estudos ligando o leite ao risco de câncer são controversos."Há pesquisas mostrando que a 

caseína [proteína do leite] pode até proteger contra câncer de cólon. Não dá para bater o 

martelo."

O nutrólogo Celso Cukier engrossa o coro sobre a falta de evidências contra o leite. "Leite 

integral em excesso significa gordura em excesso e pode elevar o risco de doença arterial ou 

renal. Fora isso, quem não tem alergia ou intolerância pode consumir leite como um 

complemento rico em nutrientes e cálcio."

Recomendar restrição ao consumo do leite de origem animal para quem não tem alergia ou 

intolerância, aliás, é proibido pelo Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (São 

Paulo e Mato Grosso do Sul), sob pena de processo disciplinar.

Adriane Antunes, nutricionista, professora da Unicamp e autora do livro "Leite para Adultos - 

mitos e fatos frente a ciência", afirma que as principais consequências negativas de uma 

dieta pobre em cálcio são relacionadas à saúde dos ossos e dentes e ao aumento da 

pressão arterial.

Fontes: Programa Cuidando do Cuidador do Centro de Pesquisas Oncológicas/SC e Minha

 Vida

"É possível ter uma dieta equilibrada sem laticínios."


2 comentários:

  1. Olá Janine, conheci hoje o seu site e gostaria de parabenizá-la pelo excelente trabalho. Já salvei no meu favoritos.

    Priscila

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    Respostas
    1. Olá, Priscila. Fico feliz que você tenha gostado do trabalho. Muito obrigada.

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