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Let's talk about inequality





16/10/2014 BLOG ACTION DAY

VAMOS FALAR SOBRE DESIGUALDADE

Participar pela primeira vez do Blog Action Day é muito prazeroso, uma vez que a publicação está marcada para o dia Mundial de Alimentação, assunto do meu blog pessoal que considero um assunto de saúde pública.


A necessidade de alimentar-se é igual tanto para pobres quanto para os ricos.  Mas a desigualdade é abissal em algumas regiões do planeta. A má distribuição de alimentos cria insegurança alimentar não só pela escassez de alimentos nos bolsões de pobreza, mas também no alto preço de sua aquisição nas regiões economicamente mais ricas fazendo com que o pobre trabalhe apenas para comer, sem condições de educação, cultura e lazer. Isso resulta num ciclo de pobreza que deve ser quebrado em qualquer parte do mundo. É preciso mudar a maneira desumana de governar, pois a fome existe por má distribuição de alimentos, má administração dos governos, e por ditaduras cruéis onde os líderes pensam apenas em si mesmos, em seus lucros próprios, sem a menor empatia pelos que estão sofrendo na miséria.

" A fome é um problema político. É uma questão de justiça social e políticas de redistribuição"  Olivier Schutter, relator da ONU

A Nigéria é o país mais rico da África, com terras produtivas, programas de ampliação agrícola, exportação e importação, entretanto, como acontece na maioria dos países com grandes desigualdades, o abastecimento interno não supre as necessidades da população mais pobre. Em detrimento do ser humano, o lucro é o que importa e o alimento se transforma em mercadoria. A função de alimentar fica em segundo plano. Se observarmos nos noticiários, a maioria dos países onde existe pobreza absoluta tem líderes que incitam as guerras étnicas (Somália, Ruanda, Mali, Congo, Senegal, Burundi, e Libéria); territoriais (Serra Leoa e Etiópia), e religiosas (Argélia e Sudão).sendo que a Somália, Serra Leoa e Liberia estão entre os dez países mais pobres do mundo (todos os dez estão na Africa).

A tabela abaixo mostra que o país mais pobre da África tem mais áreas cultivadas e pastagens do que o Brasil. A Austrália, um imenso país, tem 6,18% de sua área total cultivada e uma população subnutrida menor do que 5%. O Haiti, que é o país mais pobre da América tem um total de área cultivada de 46%!! Para onde vai todo esse alimento? Serão monoculturas de exportação?
O mundo inteiro deve voltar o olhar para o desperdício, mas os próprios países devem voltar a atenção para dentro de si e ver o que está acontecendo de verdade. A má administração interna também deve ser um ponto que merece atenção.
Existem governantes que priorizam a exportação de alimentos enquanto a fome aumenta internamente.

Observe a tabela abaixo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2010-2012.


Indicadores IBGE PAÍSES 2010/2012

AUSTRÁLIA

BRASIL
NIGÉRIA/País mais rico da África
ZIMBABWE /País mais pobre da Àfrica
HAITI/País mais pobre da América
Áreas cultivadas
6,18%
9,34%
43,04%
10,91%
46%
Pastagens Permanentes
46,60%
23,17%
40,62
31,28%
17,78%
Pessoas Subnutridas
< 5%
6,9%
8,5%
32,8%
44,5%
Calorias Consumidas
3330/dia
3230/dia
2700/dia
2200/dia
2020/dia


No Brasil, vários governantes, vêm tentando quebrar o ciclo da pobreza com a criação de programas de segurança alimentar, citando como exemplos, o Programa de Distribuição de Alimentos (PRODEA), que no fim da década de 1990 dos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso beneficiou a cerca de 8,6 milhões de pessoas que viviam em bolsões de pobreza. Atualmente, nos governos de Luis Inácio da Silva e Dilma Roussef temos um programa de distribuição financeira, um tipo de renda de cidadania, o qual, acreditam os governantes, cria melhores impactos. A verdade atual é que, no Brasil, mais de 37 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza (Secretaria de Programas Estratégicos 2013).

Com o poder aquisitivo maior, os brasileiros passaram a consumir mais alimentos. Segundo dados do Inquérito Telefônico VIGITEL,  em 2006 o percentual de adultos com excesso de peso com 18 anos ou mais no país era de 42,7%, em 2013 alcançou a marca de 50,8% da população. A falta de informação e o consumo de alimentos industrializados e gordurosos têm papel preponderante nesses dados. É importante esclarecer de onde vem o alimento, desde a hora em que a semente é plantada e para onde vão os resíduos após consumi-los (reciclagem e compostagem). Todo programa social que se proponha a diminuir a desigualdade deveria incluir um estudo integral para que no futuro não haja desperdícios e doenças relacionadas aos alimentos.

O Brasil é um dos países que mais desperdiçam alimentos no mundo. Pesquisas apontam que 35% do que produzimos são jogados no lixo. Estimativas mostram que 30 a 40% dos de alimentos vegetais que vêm dos meios rurais até a mesa sejam jogados fora. Em termos financeiros, o desperdício chega a 750 bilhões de dólares e mais da metade (54%) está na manipulação e armazenamento logo após à colheita. O restante, (46%), ocorre nas etapas de processamento, distribuição e consumo.(UOL 2014)

Uma proposta de solução para o desperdício está acontecendo em Portugal onde existe um programa de melhor aproveitamento de alimentos denominado Fruta Feia. Consiste, basicamente em combater uma ineficiência do mercado, criando alternativa mais barata e menos desperdício. Os autores do projetos passam semanalmente nas hortas e pomares, recolhem os vegetais muito pequenos, muito grandes ou disformes e vendem a preços módicos à comunidade local.
Mas aqui mesmo temos uma ótima iniciativa, o  Mesa Brasil, um projeto em rede nacional do Serviço Social do Comércio que consiste em recolher o que sobra de frutas e hortaliças de distribuidores atacadistas e de supermercados para redistribuir gratuitamente entre entidades sociais carentes pré  cadastradas e comunidades em situação de extrema pobreza.

Fontes: GOOGLE, UOL e IBGE


“O sonho de mitigar a fome é a primeira causa que os bons governantes abraçam.” 



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